Minha Primeira vez como Travesti

Então como eu disse no conto anterior, minha transição ocorreu numa cidade de interior, e acabei me tornando assunto da cidade por ser uma travesti adolescente em pleno vigor da vida, exercendo meu poder de liberdade de ser quem eu era. Nessa vibe eu tinha essa felicidade da liberdade e uma vida social muito boa, muitas amigas, alguns amigos que não tinham preconceito e me respeitavam. Os outros eu não fazia questão, e isso criou uma barreira entre os homens, por dois motivos;


1. porque eles tinham medo de que descobrissem que eles “comiam veados”, como era dito por eles. Mas o pior de tudo é que eles comiam sim, é muita gente sabia, inclusive haviam os gays mais velhos da cidade que bancavam os garotinhos, de roupa a perfume, celular e dinheiro pra eles irem nas festas pegar as meninas.
2. Eu era amiga de várias garotas da minha idade, as mais lindas, e ficar comigo poderia ser o risco de uma das minhas amigas ficarem sabendo. Eu poderia contar a elas. E de fato eu avisava, mas as minhas amigas safadas, elas queriam pegar aqueles garotos, que na minha opinião morriam na punheta.
Eu era uma travesti polêmica e odiada, no entanto eu não precisava de festa, porque eu era a própria festa, e atraía as meninas pra perto de mim porque elas queriam se divertir e consequentemente atraía os garotos. Mas meu foco era dançar e curtir.
No fundo eu tinha uma alma romântica que foi estraçalhada, atropelada, destruída por experiências ruins com homens. Não falo mal de todos, eu sei que existem homens de verdade, incríveis que sabem tratar uma mulher, seja ela trans ou cis, como uma pessoa digna.
Então, minha primeira transa depois de me tornar trans foi com um cara que conheci numa festa de rua da minha cidade, eu acredito que era aniversário da cidade, eu tinha recém completado aniversário também, era Maio, naquela noite eu me sentia uma diva, toda linda produzida, rodeada de amigas e amigos, dançávamos e bebíamos. Eis que reparei dois homens forasteiros, naquela cidade daquele tamanho quando aparecia uma cara diferente era muito fácil identificar, e as vezes esses forasteiros eram acados como um boi atacado por piranhas. Mas eu notei que eles eram bem altos, um deles me chamou atenção porque ele não tirava os olhos de onde estávamos, na minha insegurança parecia que ele estava me encarando, mas como eu estava cercada das meninas mais gatas da cidade eu achei que ele estava olhando pra alguma delas. E me despertou uma curiosidade ferina de saber a quem ele estava olhando, e logo tracei uma estratégia, chamei uma amiga pra ir comprar um drink, pois ele estava do lado que ficavam as barracas de bebidas.
– Amiga vamos fazer assim eu passo na frente e você olha pra ver se ele vai olhar pra mim ou pra você. – Eu disse.
– Tá amiga então vamos! – Respondeu minha amiga.
E assim fizemos, só pra detalhar, esses caras tinham vindo do Sul com cargas de mercadoria pra abastecer os mercados da cidade, ou seja caminhoneiros, e eram típicos sulistas olhos verdes claros, cabelo loiros lisos, branco. O que me atraía nele era o olhar de desejo, que despertou minha curiosidade.
Quando chegamos na barraca minha amiga estava eufórica.
– Bicha ele tá olhando pra senhora, sério bicha ele quer a senhora! –
– Aí amiga você não olhou direito, na volta eu vou atrás pra ver. – Eu não acreditava.
E assim fizemos na volta, e como minha amiga foi na frente ela decidiu o caminho me puxando pela mão pra gente não se perder entre as pessoas, e a malandra escolheu de passar na frente dele, quase encostando nele, e quando nos aproximamos eu olhava pra ver se ele ia encarar ela, e o que aconteceu foi que a gente ficou se encarando ele me olhou dentro dos olhos e sorriu. E eu fiquei praticamente sem ar, ele alto que era viu a gente chegar, as amigas que ficaram prestaram atenção em tudo e ficaram animadas me zoando. Daí ele fez um sinal pra eu ir pra longe da multidão e foi o que fiz, a gente conversou alguns minutos e ele me deu o número do quarto e nome do hotel que ele estava ficando, e era tipo quase de frente onde acontecia a festividade, ele foi pro hotel e disse que me esperaria lá, eu voltei pra festa pra disfarçar, ninguém entendeu muito. Mas assim que a festa acabou as pessoas se dispersaram, eu entrei no hotel sem que ninguém visse, além do porteiro, fui ao quarto dele, ele me aguardava, o quarto estava escuro, eu tinha bebido bastante e não estava enxergando nada, a gente sussurrava, criando aquela aura de tesão, Proibido, tateei no escuro e encontrei seu corpo fui me aproximando dele e tentei beija-lo e ele desviou, e me beijou o pescoço, e colocou minha mão no pau dele, o safado estava nu, ele me conduziu até a cama e me fez chupa-lo. Ele era o meu terceiro homem e o primeiro depois de me tornar travesti, mas no sexo oral eu mandava bem, chupei ele com carinho e desejo, bem molhado e quente, lambia a virilha o saco depiladinho. Até que ele pediu pra eu parar ou ele gozaria, ele me ajudou a tirar minha roupa, colocou camisinha, eu pedi pra ficar por cima e ele deixou, assim eu controlava a penetração, e não sei se era o álcool, estava doendo um pouco mas estava me dando um puta tesão eu cavalguei, sentei rebolei, até ele assumi o controle me botar de quatro e me fuder com toda sua vontade até gozar, ele caiu sobre mim ofegante e depois deitou de lado, estava meio ardendo no cuzinho, mas um fogo queimava dentro de mim, eu deitei minha cabeça em seu peito e ele se pôs a olhar pro teto, o dia começava a clarear e eu pude ver seu corpo, era magro alongado, com músculos do trabalho, e seu pau era Grosso, como eu tinha aguentado fiquei pensando, ele interrompeu meus pensamentos com um suspiro.
– Que loucura! – Disse ele.
– Você gostou? – Eu quero morrer com essa pergunta idiota até hoje.
– É, eu prefiro mulher. – Ele respondeu.
– Que??? – Eu não estava acreditando no que tinha ouvido.
– Eu prefiro mulher de verdade, uma bucetinha, eu tenho uma noiva mas eu tava na seca… –
Eu me levantei de súbito, vesti a calcinha o sutiãs o Shorts, a blusinha, calcei os sapatos, ele se levantou e destrancou a porta, e deu tchau que eu nem respondi, sai dali feito um foguete. Fui pra casa correndo, e me desabei em choro. Foi meu primeiro trauma e eu nunca mais perguntei a ninguém “você gostou” depois de uma transa. Eu tenho certeza que ele só disse aquilo pra me diminuir, havia centenas de mulheres naquela festa, eu era a única travesti, e ele me convidou para ir no quarto dele. Era uma mentira que ele falou pra não ferir o orgulho de macho dele, mas que abalou a minha estima, ainda mais porque nenhum homem da minha cidade me via como mulher.
Enfim, hoje eu tenho maturidade pra lidar com isso, mas muitos homens são insensíveis e maldosos de nos tratar com descaso em prol da masculinidade deles próprios. Talvez alguns fiquem com raiva de mim após este relato. Mas se você é trans e leu este conto, meu conselho e que você se empodere, se ame, seja feliz, não permitindo que valores machista e preconceituosos abalem sua autoestima.
Beijos da trava, conte comigo como uma irmãzinha travesti pra te apoiar! ??

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